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Mudrá

GESTO REFLEXOLÓGICO FEITO COM AS MÃOS

Mudrá é a linguagem gestual. Deve ser pronunciado sempre com a tônico. Significa literalmente gesto, selo ou senha. Provém da raiz mud, alegrar-se, gostar. Em alguns livros aparece traduzido como símbolo, mas isso não está correto. Símbolo é a tradução da palavra yantra. Em Yôga, mudrá designa os gestos feitos com as mãos. São definidos como gestos reflexológicos por desencadear uma sucessão de estados de consciência e mesmo de estados fisiológicos associados aos primeiros.

É o gesto ou selo que, reflexologicamente, ajuda o praticante a conseguir um estado de receptividade superlativa. Mesmo os que não são sensitivos podem entrar em estados alfa e theta já nesta introdução. No capítulo Mudrá do livro Tratado de Yôga, apresentamos as ilustrações de 108 mudrás.

Mudrá tem sua origem na ancestral tradição tântrica. Como afirma Shivánanda, a presença de mudrá, pújá e mantra, caracteriza herança dos Tantras. Devemos recordar que o Swásthya Yôga tem sua prática básica iniciando-se exatamente com esses três angas. E não é à toa: o nome completo da nossa linhagem é Dakshinacharatántrika-Niríshwarasámkhya Yôga.

COMO ATUAM OS MUDRÁS

Os mudrás atuam por associação neurológica e por condicionamento reflexológico. Não podemos negar um componente cultural, que reforça ou atenua o efeito dos mudrás. Sua influência na esfera hormonal é inegável. Quem ainda não sentiu lhe subir a adrenalina por causa de um mudrá provocativo, ou os hormônios sexuais por conseqüência de um gesto erógeno?

Um fato curioso e que só pode ser atribuído ao inconsciente coletivo é a "coincidência" de que, em épocas diferentes, hemisférios diferentes, etnias e culturas diferentes, os mesmos gestos sejam observados, com o mesmo significado. Há diversos estudos publicados nas áreas de antropologia e de psicologia demonstrando que, seja qual for o povo, determinados gestos possuem um significado comum, desde uma primitiva tribo africana, até uma nação nórdica.

Mas, afinal, o que há de extraordinário nisso? Todos os povos não expressam sua satisfação e cordialidade através do sorriso e sua revolta através do punho cerrado? De quantos outros exemplos lembrou-se o leitor neste justo momento?

Portanto, mudrá é a parte do Yôga que estuda e aplica os efeitos dos gestos sobre o psiquismo e, por conseqüência, sobre o corpo físico.

A IMPORTÂNCIA DOS MUDRÁS

O Homem só se distanciou do resto dos animais, dominou a Natureza, adquiriu tecnologia, criou a arte, constituiu a civilização porque tinha mãos. E, nelas, um polegar oponente. Não foi graças ao cérebro. Bem pelo contrário: o cérebro só se desenvolveu depois que as mãos passaram a segurar e até a fabricar instrumentos, meio que instintivamente, como inclusive o fazem alguns símios e várias outras espécies de animais. A partir de então, os estímulos neurológicos, cada vez mais complexos, passaram a exigir um maior desenvolvimento cerebral. Implante-se um cérebro humano em um cavalo e ele não poderá construir coisa alguma com seus cascos.

As mãos e os dedos são, além de ferramentas da edificação cultural, meios eficazes de comunicação entre os indivíduos. Um homem público pode estar proferindo um discurso muito convincente no aspecto da verbalização, mas a gesticulação poderá traí-lo e o público não o aceitará se seus mudrás não forem coerentes. Quantos políticos você conhece que perderam eleições por causa de uma gesticulação denunciadora das suas verdadeiras intenções...

Além do mais, o corpo humano, como qualquer porção de matéria orgânica, possui um magnetismo e polaridades. Energia flui em quantidades e qualidades distintas por todo o organismo. Logo, não é de se admirar que em suas extremidades - as mãos - modificando-se a disposição, a postura, a orientação e a combinação dos dedos, diferentes reações eletromagnéticas se manifestem. Desde que as fotos kirlian tornaram-se populares, é impossível negar que das mãos e dedos partam fachos de energia fotografável. E mais, faça você mesmo essa experiência: bata uma kirliangrafia antes e outra depois de praticar respiratórios, ásanas, mantras, meditação, etc. As variações são, no mínimo, interessantes.

QUANTOS SÃO OS MUDRÁS

O número total de mudrás é incerto, uma vez que, dependendo da região, da época e da Escola, os mudrás têm nomes diferentes e até mesmo dois ou três nomes para o mesmo mudrá, dependendo apenas da maneira como ele é executado. Podemos, contudo, compilar mais de 100, dos quais mencionaremos primeiramente os principais para o nosso tronco de Yôga.

Os mudrás do hinduísmo são originários da antiga tradição tântrica e tanto o Yôga quanto a dança clássica hindu, o Bhárata Natya, utilizam-se deles. Nos Yôgas mais tardios essa arte ficou praticamente extinta, limitando-se a uns poucos mudrás. O praticante de Swásthya Yôga deve cultivá-los com sensibilidade e dedicação, cravejando-os na sua prática diária e, com muito mais empenho, no seu treinamento de coreografia.

Os mudrás são divididos em duas categorias: samyukta hasta (com as duas mãos) e asamyukta hasta (com uma só mão).

Para conhecer quais são os mudrás,
consulte o restante do capítulo no livro Tratado de Yôga.
Pergunte ao seu instrutor como adquirir este livro.


Tratado de Yôga
www.TratadoDeYôga.com

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