Kriyá
Atividades de purificação das mucosas
São atividades de purificação das mucosas, que têm a finalidade de auxiliar a limpeza do organismo, agora no âmbito orgânico. Em se tratando de Yôga, só se deve proceder às técnicas corporais após o cuidado de limpar o corpo por meio dos kriyás.
Os kriyás promovem a higiene interna, das mucosas do estômago, dos intestinos, do seio maxilar, dos brônquios, das conjuntivas, etc.
Kriyá significa atividade. Os kriyás são técnicas de purificação típicas do Yôga Antigo. Consistem em uma verdadeira arte de limpar o corpo, por fora e por dentro, atentando para filigranas de fazer corar qualquer um de nós que se supusesse uma pessoa asseada.
Para perplexidade do ocidental moderno, os kriyás foram elaborados numa época em que a maioria dos povos hoje tidos como cultos nem tomava banho, nem escovava os dentes. Nessa época, os yôgis já estavam mais preocupados com o fator higiene do que nós hoje em dia, mais que todos os povos de qualquer época.
Eles sabiam, por exemplo, que não adianta só lavar o lado de fora, a face visível do corpo, se deixarmos imunda a parte que não é vista. Tinham consciência de que isso não é lá muito honesto, pois parece-se muito com jogar a sujeira para baixo do tapete. Só que o tapete, nesse caso, é o nosso corpo!
Os principais kriyás são seis, denominados shat karma.
| Kapálabhati | Limpeza do cérebro e dos pulmões. Também pode ser catalogado como pránáyáma. |
| Trátaka | Limpeza dos globos oculares e treinamento para melhorar a visão. Tem atuação muito rápida para astigmatismo e hipermetropia. |
| Nauli | Limpeza dos intestinos e dos órgãos abdominais por massageamento. |
| Nêti | Limpeza das narinas e do seio maxilar com água (jala nêti) ou com uma sonda especial (sútra nêti). |
| Dhauti | Limpeza do esôfago e do estômago com água (jala dhauti) ou com uma gaze (vasô dhauti). |
| Basti (vasti) | Limpeza do reto e do cólon com água. Foi o ancestral do clister. |
Como os kriyás não são isentos de riscos, optamos por não ensiná-los neste livro. Devem ser aprendidos diretamente com um instrutor formado. Exija dele o Certificado de Instrutor de Yôga, revalidado (atente para o fato de que um mero certificado de Yôga é diferente de um Certificado de Instrutor; e de que para esse propósito deve estar sob a jurisdição da entidade de classe reconhecida).
Não custa, entretanto, deixar registradas três advertências.
I. Se você já conhece alguns destes kriyás, saiba que a lavagem freqüente do seio maxilar ou dos intestinos pode causar dano à flora bacteriana.
II. Não introduza no seu corpo nenhum líquido que não seja água filtrada e fervida. Não proceda ao jala basti imerso nas águas de um rio, como induz a ilustração desse kriyá em alguns livros de autor hindu: se houver caramujos você pode contrair esquistossomose.
III. Não recomendamos os kriyás que utilizem outros recursos além do ar ou da água. Nenhum instrumento deve ser usado, a não ser para o danta dhauti kriyá (em que pode-se utilizar a escova de dente moderna), para o jíhva shôdhana (em que pode ser utilizada uma espátula ou uma colher das de sopa especialmente reservada para esse fim), e para a lavagem intestinal ou vaginal (em que pode-se utilizar a ducha contemporânea de borracha).
Extraído do livro Tratado de Yôga, do Mestre DeRose. Visite o site www.tratadodeyoga.com e o Blog do DeRose em www.uni-yoga.org/blogdoderose











